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sábado, 20 de maio de 2017

Viajando pelo caminho...



Mamães queridas e colegas de oficio que a paz seja conosco!

É com muito prazer que retomo nossa conversa contando uma experiência que me fez pensar bastante…

Antes de escrever,  peço a você que se puder leia Gênesis 19:23-26. Essa é a história de uma mulher convocada a fazer uma escolha - perecer com suas coisas e estilo de vida ou ser salva deixando tudo para recomeçar. Esse é o velho dilema de uma mulher apegada ao seu chão, suas coisas sua casa, suas
Tenho pensado muito nessa narrativa bíblica. Tenho pensado em meu tesouro- onde ele está e, consequentemente, onde está meu coração (Mt 6:21). Penso também na passagem em que Jesus fala que quando queremos preservar a nossa vida, corremos o risco de perde-la e quando dela abrimos mão pelo reino de Deus, a ganhamos. Esses dias, como algumas de vocês sabem, estamos em processo de mudança para outra nação e isso implicou em deixar para trás muitas coisas. Não vou falar de pessoas,pois com elas a distância é geográfica apenas, estou falando de coisas materiais, não estou falando de bens valiosos financeiramente, estou falando de bens que causam apego emocional. Não foi fácil colocar em poucas caixas o que levaríamos, não foi fácil me ver naquela posição em que a mulher de Ló, que tantas vezes avaliei, esteve. Por plano e vontade divina, eu precisei deixar algo sem olhar para trás e me vi como a mulher de Ló compelida a olhar pra trás e dar uma olhadela saudosista para tudo que me apeguei durante esses 10 anos em que estou casada com meu amado esposo. 

Um dia, cheguei em casa e não havia mais panelas, mais sofás, mais nada e eu estava exausta em embalar tudo aquilo e separar para seu destino e enquanto refletia, minha pequenina me lembrou através do louvor:
-Escute agora essa história da mulher se deu mal! Só porque olhou pra trás virou estatua de sal.
Aquela música infantil que tantas vezes cantei com os pequenos em casa e com meus aluninhos na E.B.D me cortou o peito. Eu estava olhando para trás, estava vendo minha vida como retratada numa série de objetos e minha vida é mais que tudo isso, está escondida em Deus. É engraçado como para nós as coisas se traduzem em objetos. Como nosso estilo de vida traduz o nosso coração inquieto. Podemos nos perder, sim! Podemos nos perder nos objetos, nos apegando a uma carreira, a um estilo de vida e a tantas coisas que julgamos parte de nós e imprescindíveis. Será que Deus é nosso tesouro? Será que dEle vem nosso prazer, alegria e fonte de tudo ou está no que Ele nos dá para serem apenas canais para seu reino. 

Fiquei pensando se a beleza e elegância que Deus criou para retratar sua gloria não acaba se tornando um ídolo do coração, algo que não o glorifica numa roupa ou sapato que complementa um rosto radiante e um espirito sereno. Será que a despensa cheia de comida, em vez de ser objeto de nossa gratidão ao Senhor pelo pão, não se torna nossa segurança de que teremos o pão porque trabalhamos e podemos comprar comida, em vez de ser objeto de nossa gratidão a nosso provedor? Será que os livros não se tornam uma acumulação e troféu que provam que lemos em vez de serem usados com propósito útil ao reino de Deus?  em vez de sermos mordomos alegres que cuidam bem do que tem para a gloria de Deus nos tornamos até acumuladoras de coisas que nunca usamos mas enchem nosso coração e nos fazem encontrar satisfação e alegria no lugar errado. Não me entenda mal. Não estou dizendo a você que é pecado ser elegante, ter objetos e cuidar bem deles, nem estou mandando você se tornar um hippie. Estou falando de como ser pega em minha fraqueza me fez pensar em minha vida e no tipo de vida que Deus quer que eu viva.

Como facilmente nos tornamos idolatras do que temos! Como tornamos as bençãos de Deus em fins e não canais de sua gloria. Como eu preciso que meu coração seja convertido a Cristo e que minhas coisas (My stuff, como dizem os de língua inglesa), sejam só coisas e os títulos sejam só meios de glorifica-lo que não sejam mais que coisas temporárias. Meus olhos marejam porque num gesto de uma garotinha cantando  'éstatua de sal'', Deus me mostrou o quanto há de comum entre a mulher de Ló e eu. Como é fácil que eu me apegue àquilo que perece e isso deixe de ser um meio para se tornar um fim. 
Não estou falando que seja errado termos e zelarmos com cuidado do que temos. Estou falando de como bençãos podem facilmente se tornar ídolos em nossos corações e mentes.

Convido você a junto comigo compreender que tudo que toma o lugar da alegria de ter Cristo pode facilmente se tornar um ídolo do coração e nos tornar imoveis estatuas de sal presas naquela que nos impede de nos movermos e seguir adiante e glorificarmos a Deus. Se o doce preenche meu coração e ansiedades, ele está no lugar errado! Se o que possuo é minha segurança, ele deixou de ser um meio e está ocupando o lugar errado em meu coração. Se comprar é meu escape para as adversidades e me sentir bem; isso também está tomando o lugar errado em meu coração. 

Então eu lembro que o Espirito Santo tem uma função em minha vida. Ele é Deus atuando na terra para meu aperfeiçoamento, me ajudando em minha fraqueza, produzindo em mim seu fruto e que sem Cristo eu nada posso. Ele trabalha em mim e torna minha incorrigível carne submissa à palavra de vida e a torna serva, suplantada e crucificada ali com Cristo. Ela tenta voltar, reinar e ser senhora, mas perto de mim há sempre um modo de lembrar que quando Cristo não é Senhor de minha vida, eu sou só alguém rodando em círculos escrava de vontades que não me saciam apenas me prendem a um modo de vida que não fui criada para viver e, portanto, nunca vão saciar minha sede. Essas fontes só geram dor e adoecimento emocional e físico. Definitivamente, quero seguir adiante! Não quero me tornar uma estatua de sal! No fim, nada nesse mundo poderá preencher minha alma. Só sou completa quando nos braços dAquele que soprou em mim o folego de vida  e diferente dos macacos, leões e demais animais, me criou para transcender e viver em comunhão com Ele.  As pequenas alegrias dos meus dias são apenas pequenos refrigérios para seguir adiante, quero valoriza-las mas nunca deixar que se tornem minha alegria maior. Só Ele tem a água viva que sacia minha alma e a enlaça no frescor da sua gloria.
Eu te convido a seguir comigo essa jornada como diz uma das minhas musicas preferidas desde garotinha ( O Hino 36 da harpa cristã) : Passarinhos, belas flores querem me encantar…São vãos, terrestres esplendores mas contemplo meu lar.

Tenham todas um lindo dia, no vislumbre da graça divina e entendendo que nosso lar é longe e que as paragens e fontes de água no deserto só são pequenos presentes do Pai, para lembrarmos que do outro lado há algo bem melhor do que isso.  

Que atrair o nosso amado mestre seja nosso objetivo:

Ouça filha, considere e incline seus ouvidos: Esqueça o seu povo e a casa paterna. O rei foi cativado pela sua beleza; honre-o, pois Ele é o seu Senhor! (Salmo 45;10-11) Que sejamos formosas aos olhos dEle!

No amor do calvário que nos une,

Ana Cláudia 


domingo, 14 de maio de 2017

O melhor presente do dia das mães

Olá a todas,

Hoje eu gostaria de parabenizar cada mamãe querida que nos acompanha no blog. Queria ter um lindo vídeo e Uma homenagem bela, mas não tenho essa vocação a não ser com a ajuda dos universitários😄. Adicionalmente, está posto o fato de que eu estou sem meu quartel general, esperando a mudança de nossa família para Portugal (resumindo, a mamãe está sem casa). Todavia, tenho o que mais gosto ao escrever para o blog: minha Bíblia e a oportunidade de refletir (um momentinho silencioso).

Ao longo desses seis anos, quase sete, em que sou mãe, fui entendendo que cada vez mais quero menos celebração a mim e a minha maternagem. Aprecio os gestos de carinho dos meus filhos e marido.  No entanto, não acho que sou uma heroína. Não acho que mereço louvores e honras. Francamente, quero que meus filhos cresçam sendo gratos e aprecio o amor que recebo deles em forma de gratidão e tenho orado para que algum dia eu cresça no Senhor ao ponto de corrigi-los quando forem ingratos e não apreciarem meu trabalho, pelo caráter deles e para que aprendam a ser gratos, e não por necessidade de ser reconhecida. Essa é minha luta constante! Espero um dia ser assim...

Há duas razões, ou três talvez, pensando bem, que me fazem entender que tenho mais a agradecer que a ser alvo de gratidão. Há também inúmeras pessoas que realmente são exemplo de maternidade e com quem aprendo, seja lendo suas biografias ou assistindo seus exemplos cotidianamente . Quando vejo as provações que cercaram a vida dessas santas mulheres e a forma como pequenos obstáculos do caminho mostram minhas fragilidades, eu vejo o quanto ainda tenho a crescer em conhecer ao Senhor e dar lugar ao doce Espirito Santo. No entanto, a despeito de minhas fraquezas e debilidades, eu vou vendo o quanto Deus trabalha em mim através da maternidade e o quanto as tarefas designadas a nós mulheres pela palavra nos fazem crescer e apontam nossos pontos de fraqueza bem como nossos pecados.

Não é fácil ser mãe. Não porque seja uma tarefa complexa, mas por exigir a simplicidade que muitas vezes nos falta. É um chamado direto, sem rodeios e por isso muitas vezes nos deixa atonitas e perdidas. Ser mãe desnuda o nosso interior e nos exige agora o que normalmente deixaríamos para depois, ou deixaríamos passar despercebido. A maternidade aponta nossa falta de exemplo nesse ou naquele departamento, exige de nós o fruto do espirito e o crescimento vital da caminhada com Cristo, dentre tantas coisas. Há uma pergunta que eu escuto muito das pessoas que me conhecem a um bom tempo: se a maternidade me realizou. Elas perguntam se ser mãe foi tão bom quanto eu imaginava. Ser mãe, foi mais que o que eu queria. Ser mãe foi na minha vida o que eu precisava. Muitas vezes a maternidade foi o puxão de orelha de Deus, em outros foi o desafio de andar a próxima milhaem amor. Houve momentos em que ser mãe me fez sentir a benevolência divina, numa hora de doçura ou alegria, em outros me fez pensar: Como Deus pôde me dar essa tarefa? O que ele vê em mim que eu não vejo. Todos os dias ser mãe me acorda do velho erro de Eva: procurar a mim mesma  em outra fonte que nao a transbordante e  provar e sentir o gosto de querer me bastar e ser suficiente (nas palavras da serpente ser igual a Deus). Ser mãe me torna fragil e dependente, revelando a minha essência.

Às vezes eu acho engraçado as propagandas do comercio no dia que se comemora o dia das mães. Eu sinto que aquelas propagandas não falam de mim. Não sou a mulher que é o que quiser. Eu vivo numa luta constante para ser o que preciso! Não sou a mulher forte (que usa um determinado desodorante) que faz o que quer porque é forte. Sim , eu tenho que ser guerreira, mas não sou o que quero. Eu corro uma corrida, almejo um dia e naquele dia será meu dia das mães… Não porque ganhei uma bolsa, uma joia ou um par de sapatos, mas porque quero ouvir dAquele  a quem minha alma ama e anela: Serva boa e fiel! Aquele será o dia da minha recompensa, aquele será o dia dessa mamãe aqui e eu espero de coração poder dizer ao meu querido Mestre: Me destes esses talentos, e com a ajuda do teu doce Espirito, eu os multipliquei.

Não me leve a mal! Não estou falando contra o dia das mães. Só estou dizendo que as alegrias desse dia, são só um refrigério. Sabe um maratonista? Ele recebe copos de agua para se refrescar ao longo da sua jornada.Todavia, ele não para. Não se ilude porque alguém lhe deu água reconhecendo que ele se desgastou ao longo do caminho. O maratonista sabe que seu alvo é a medalha. Ele não para por aquele pequeno refrigério. Ele quer mais; normalmente, ele almeja o prêmio. O presente, os abraços, os elogios são bons, mas a linha de chegada é adiante. Não cheguei lá ainda!

Eu quero desejar a cada mamãe querida que cada dia de seu trabalho como mãe seja mais um dia de aperfeiçoamento na oficina do mestre. Que possamos correr com paciência a carreira que nos está proposta! Então, naquele dia descansaremos para sempre ao lado do amado mestre.
Em amor,
Ana Claudia